quarta-feira, 29 de março de 2017

[ e p i s t e m e ]

é preciso que depois de um toque
a gente saiba que não virá em ventura
não concretude
nem mesmo oco
naquela pedra posta centro do ralo
na busca tapante do não podendo mostrar

e não virá nem nas palavras-suporte
na busca onomatopaica
naquilo tudo que um dia
a gente tentou entender no quadro-lousa-preta
o que riscava giz de professora de exatas

[já que]
depois de um toque
é preciso
- e talvez a gente sabia só que andaram dizendo que a não ser em provas científicas tudo o que afirmamos saberes é não
(não conhecimento, sim experiência);

não que o que chega vem vento
vira corisco-faísca
num rabo de zoio
que só
espiando fino em canto de orelha
comunica com o centro da espalda
- que é onde atenta me chegam em toques quando deslizam no eu, já percebeu?

digere cada brisa transmitida por um olhar tergiversado
chegado em farpa
- mas não cortante ventre-meu,
antes afia para aparar o que sobra -

e tem sobrado
tanto
tanto
e tem
tanto
-
que nesta episteme
tão tua
e criada
não anda cabendo não



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