quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

PELOS PELOS (ENSAIO SOBRE OS FIOS)

São pelos pelos que descobrimos a verdadeira natureza de um ser.
Pelo modo como um pelo se afunila no peito desnudo,
pelo jeito com que se assanha ao assombro de uma língua,
pela forma pelo qual se enrosca na dobrinha da orelha.

Pelo pentelho na subida do joelho.
-Ei, fiozinho atrevido, por onde sobes pelo meu corpo?
(ah, se ele soubesse como eu me arrepio quando o vento bate ao pé do ouvido)

Mas, olhe, o pelo subiu pelos seios,
encurvou-se nas redomas,
estancou na curva leste,
acelerou à cucaracha,
prosseguiu sinal vermelho,
fez um vinco bajo à destra,
conservou-se à cor de jambo,
atingiu o belo pomo,
roçou o biquinho assanhado,
e num baque abocanhou-o.

E pelas bordas se arrepia ao calcanhar,
e pelas beiras se ajeita à beira-mar,
pelas pelancas se intimida ao giletar,
pelas pelotas se enrodilha a girar,
e pelas ancas se despede ao se corar.

Lá vai ele, pelo sacana, ralo abaixo, se indagando:
-Mas quem foi que inventou a tal da depilação?



terça-feira, 22 de janeiro de 2013

PAU DO DESESPERO (A PALAVRA DA POETA)


A palavra da poeta é lança cortando o pau do desespero
É lucidez nos perigos desconhecidos
Feto guardado tergiversando o cordão umbilical semi-rompido,
Nu-instantâneo-antigo.

É chicote, 
Serrote que rasga,
Nesga de ferida derrotada da labuta diária.

À poeta, a palavra ilustrada.
À palavra, a espera poeta-periclitante.

Cessa-se o científico, o jurídico, o legislário.

Teto corolário de escrita.

A poeta não pensa, a poeta não age.
Re-age na ação instaurada.
Re-faz na poesia a desordem natural das coisas-caos.
A poeta quebra – com um vergar de mãos – a chibata desesperante




segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

OLHAR O MUNDO

"Aprendi a olhar para o mundo como quem observa o cair de uma primeira gota que anuncia uma tempestade"

Bárbara Esmenia



sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

PERDAS COTIDIANAS

Perdi hoje um casaco;
deslizou pela bolsa e, ingrato, pousou no chão sem se despedir

Perdi, também, o celular;
escapou de minhas mãos, caindo direto em um bueiro

Perdi, em seguida, o olho esquerdo;
fixou-se em uns cabelos que escorriam por ombros eretos

Perdi, ainda, a comunicação pelas palavras;
tentei proferir frases que estancaram com a impossibilidade de meus lábios se abrirem

Perdi, no momento seguinte, os movimentos;
vi você escapar por entre as ruas, tornando-se um ponto flutuante entre a multidão

Perdi, enfim, minha alma;
quando não mais te encontrei pela cidade, te buscando pelos mesmos caminhos pelos quais vi o ponto desaparecer

Perdi, oh não, minha vida;
quando esperei...
retornei...
retomei...
reforcei...
e nada...
apenas não amei.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

VIVÊNCIA EM TEATRO DO OPRIMIDO


O Coletivo Transitório de teatro inicia um novo processo experimentando algumas vertentes do Teatro do Oprimido, idealizado por Augusto Boal.

Neste primeiro encontro, pretendemos conhecer um pouco mais a/os participantes presentes, explicando o que é o teatro do oprimido e experimentando na prática algumas de suas técnicas, seu arsenal de jogos e exercícios e improvisando uma cena de teatro-fórum.
Convidamos a todas e todos para compartilharem este dia conosco.
obs.:
-vir de roupas leves e confortáveis;
-se possível, trazer algo para o café-da-tarde coletivo.