terça-feira, 25 de setembro de 2012

CINECLUBE PIPOCA COM BATOM APRESENTA:



CINECLUBE - PIPOCA COM BATOM

Exibição de vídeos dirigidos por mulheres todo último sábado do mês, às 19h na Penha

Local Memorial Penha de França, Rua Betari, 560, Penha (próximo ao Metrô Penha)

ENTRADA FRANCA

Este mês exibiremos o filme:

29/Setembro
“Bicho de sete cabeças”
Direção: Laís Bodanzki
Ano 2001 (Brasil)
Duração: 74 minutos

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

FESTIVAL DE CORDEL - CENTRO DE TRADIÇÕES NORDESTINAS




Dia 16/09 foi realizada a abertura e premiação do Festival de Cordel promovido pelo Centro de Tradições Nordestinas, concurso promovido no final do ano passado.
Na ocasião, eu escrevi um cordel intitulado Torcicolo Cultural e enviei para o concurso, ficando na 16ª colocação. Seguem as fotos da exposição e capa de meu primeiro cordel impresso.




 O cordel também está publicado aqui no blog, na página Cordéis:




 





segunda-feira, 10 de setembro de 2012

CRÔNICA: A/OS CONTADORA/ES NOTURNA/OS

Escrito em um momento de observação - durante muitos - ocorrido em uma livraria, meu antigo trabalho.
Na ocasião, trabalhadora/es lá estavam para realizar a contagem de acervo durante uma madrugada.
Com seus aparelhos, iam bipando todos os códigos de barras de livros, cd's, dvd's, e tudo o mais que vissem pela frente.

A/OS CONTADORA/ES NOTURNA/OS

Ela/es eram a/os contadora/es noturna/os. Quando chegaram os objetos já estavam dispostos em fileiras a fim de facilitar seu trabalho. Com o rosto impassível, como quem possui um único objetivo na vida, a/os contadora/es empunham seus aparelhos eletrônicos para inserir no leitor o código de barras do produto.

    São ela/es muito sérios. Como quem perdeu a vida em alguma outra paisagem e vivem a tentar recordar esses instantes já vividos. Uma/uns nasceram em paisagens naturais: nada de saneamento, comida vinda diretamente da roça, sem comunicação com o mundo exterior. Outra/os aprenderam desde cedo o que é pegar no batente, seguindo o exemplo dos pais trabalhadores explorados, porém sobreviventes. Outra/os nem sequer foi lhes ofertado um exemplo a seguir. Foram guiada/o pelos caminhos do mundo por onde o vento noroeste indicava seu rumo.

Mas no momento presente que é o de interesse da narrativa eis que estão toda/os ali, uniformizada/os prontos para o aceno de início.

Preparados?

Ação.

Tomam todos uma pilha de produtos a serem contadas e, de arma contadora em punho sonorizam o bip que confirma a validez do código.

Sérios, como convém a um trabalhador noturno.

    Nem a música embalante que envolve a madrugada a/os remove do estado natural das coisas e excita seus corpos ausentes de prazeres a um remelexo nacional. Os números não se dão à musicalidade. A partitura só funciona na cabeça de quem toca. O meu olhar a ela não extrai-lhe o som.

    Quem são essa/es contadora/es noturnos? Será que se eu convidá-la/os a dançar após o trabalho ela/es aceitarão? Será que no fim da jornada, sendo já observados os primeiros raios de sol, irão ela/es descansar em suas casas? Dormirão com o sol escaldante que cobre o verão brasileiro? Ou um simples descanso de poucas horas já os deixarão fortalecidos zumbimente para a próxima contagem?

    Quem são esses contadora/es noturna/os?

    Por mais que eu a/os olhe, observe-a/os dos pés à cabeça, só consigo enxergar o que lhes cobrem, o que calçam, como se penteiam, qual a cor de suas peles a fim de se pensar estar descobrindo suas origens.

Terão sonhos a/os contadora/es?

    Por que não falam? Por que não sorriem? Perderiam a conta se se dessem a tal prazer momentâneo?

Tudo bem, tudo bem, respeitemos a/os contadora/es noturna/os. Deixai que executem seu serviço sem a interferência de meu olhar curioso necessitado do sorriso de todos, da piada cotidiana, do encanto de se fazer o que gosta.

Não, a/os contadora/es não têm sonhos. Como quem de nada se acostumou a gostar, à/aos contadora/es só interessam os códigos de barra. E seu salário correto no final do mês, certamente. Se fosse permitido à/aos contadora/es escolherem o que contar acho que escolheriam notas de dinheiro. Moedas talvez num grau menor, dado o aumento de trabalho. Aí se veria de mais imediato o que estão a produzir.

Como não conhecem o conceito de mais-valia, nada que perigue revolucionar a cabeça do/a contador/a. Tranquilidade para o patrão, mesmice de um emprego seguro para o/a contador/a.

Um dia contratarei alguma/uns contadora/es para contarem os fios de meu cabelo rebelde. Quero senti-la/os mais próximos, quase que como a exporem seus sentimentos ao tocarem em minha cabeça.

Enquanto contam, contar-lhes-ei minha vida. É uma forma de ser contadora também. Quem sabe assim eu não me aproximo do mecanicismo de seus trabalhos.

Só que ao invés de contar minha vida como se tudo fosse incrível ou repleto de dramas e suspenses, contarei mo-no-to-na-men-te, como quem bipa código de barras de produtos. Fa-la-rei-no-mes-mo-rit-mo, sem graves alterações, sem sorrisos, sem remelexos.

Serei grave, como convém a um/a contador/a.

Ao chegarem à contagem do último fio, estarei neste mesmo instante sendo narradora do momento atual. O momento em que a/os contadora/es terminam de contar os meus fios de cabelo. Em comunhão de ato e história, perceberão a/os contadora/es estarem eles, ali, naquele instante, saindo do mundo dos dígitos para fazerem parte da história real de minha vida?

(Bárbara Esmenia: 08/11/2010)

quinta-feira, 26 de julho de 2012

MESA DE DEBATE - ÉPICO E DRAMÁTICO: DUAS ESTÉTICAS EM DISCUSSÃO




Mesa Redonda "Épico e dramático duas estéticas em discussão"


No dia 27/07, às 19h30, será realizado no Periferia Invisível uma mesa de discussão, que faz parte do processo de montagem da peça História de Amor, que estreia ainda esse ano na Associação.

A conversa girará em torno das estéticas/gêneros/formas Épica e Dramática. Suas relações, oposições, características e afins e contará com alguns convidados, como Bárbara Esmênia, do Coletivo Transitório, e o Grupo do Balaio. A mediação fica a cargo de Mariana Cury, diretora do espetáculo "História de Amor".

A participação do público nesse processo de discussão é muito importante e contribuirá para o entendimento de alguns elementos presentes no enredo da peça. 

A entrada e participação é gratuita, bastando comparecer ao espaço da Associação Periferia Invisível no horário do evento.

Contamos com a sua presença!






sexta-feira, 22 de junho de 2012

PERCURSOS POETICOS NA METROPOLE - TRAJETO 7: SEM ACENTO

O vento que bate nas folhas.

Meu olhar entre elas busca a recordação de seus olhos que me miravam em um passado recente.

Por vezes, transpus as folhas, busquei o interno das seivas - frio gosmento escorrendo por entre os caules.

Olhe para mim, não abandone este momento.

A noite é plena e a ventania dispara nas luzes um raio que corta o ar ferozmente.

Quem me disse que as coisas não sentiriam o peso de um despertar novamente?
É garota Bárbara, tu pensaste que seria a última vez? Aquela que hoje recordo como a vez das esperanças perdidas?

Não. Acomode-se, ainda é cedo para horizontalizar um coração que segue pulsante.

Pulso constante, em ritmo, não congela.

No momento bate cada-vez-mais-forte-em-um-crescente-que-não-para.

Oh, estou viva! Sinto isso novamente atingindo verticalmente meu coração que por um momento pensou não-mais-nunca sentir-se assim outra vez.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

PENSAMENTOS NOTURNOS

Por vezes, aos poucos, no adentrar da noite, me encontro frente à frente ao que eu deveria ser cotidianamente. Vejo uma mulher, ainda jovem, cabelos desgrenhados, olhos profundos, corpo volumoso.

Uma menina que os anos vão levando e que, aos poucos, carrega seu corpo sem compreender muito bem para que ou, talvez, para quem se destina.

É uma massa disforme que se arrasta pelas ruas, adentra casas, lojas, bibliotecas; mexe-se num cosmo que não lhe pertence.

Os anos parecem-lhe sinônimo de corrupção do espírito, deletério do corpo, danoso à alma.

De quanto em quanto tempo retornarão estes suplícios?
Quantos martítrios perseguirão minha vida ao longo da estreita passagem dos anos?

Antes o pisar de incertezas que por vezes ainda conserva a piedade. Nunca deite em mim verdades absolutistas. Deixe-me viver com as minhas ilusões.

Eu vou viver, eu vou...